Era ele, era eu, era outro.
O coração era pra palpitar tranquilo, mas,
ao invés disso, ele estava vivendo no maior alvoroço que se tem história
daquele coração não tão velho assim. Ainda mais aquele coração, que começou a
bater tão mais tarde.
E naquele rebuliço todo, o cheiro do
chiclete acrescentou um descompasso que há muito não se tinha notícia.
O cheiro de melancia meio misturado com
cigarro naqueles braços que lembravam tanto o primeiro que a fez sentir-se
viva.
A cabeça passava por tantas sensações que
ela se segurou, com medo da tormenta derruba-la fisicamente.
Eram muitas sensações, claro, mas todas
elas pareciam sempre a mesma.
Foi o pensamento que a levantou do choro
naquele quarto pequeno, quando, pela primeira vez, seu coração bateu de verdade,
pelo cara do cheiro de melancia.
A sensação era sempre parecida, mas ela não tinha se acostumado
com aquela palpitação que parecia que a faria explodir.
Era sempre tão intenso que ela se perguntava se aqueles
relacionamentos que ela via tinham essa emoção toda.
Pela primeira vez, o coração dividia o tum e isso perturbava
aquela menina tão centrada, que argumentou contra a proposta da divisão, uma vez. Justo ela, que um dia chorou ao vê-lo partir por ai.
Não chorava pelo abandono. Definitivamente não. Chorava pela ausência do convite que ela relutaria pra não aceitar, mas que até hoje desconfiava se não estaria com a mala por ai com aquele cara que julgou ser o amor da vida, naquela vida que não a pertencia mais.
Não chorava pelo abandono. Definitivamente não. Chorava pela ausência do convite que ela relutaria pra não aceitar, mas que até hoje desconfiava se não estaria com a mala por ai com aquele cara que julgou ser o amor da vida, naquela vida que não a pertencia mais.
Hoje ela não faria. Hoje ela tinha dois corações batendo dentro de
um só.
Hoje, ela se via chorando por amar demais.
E, hoje, logo hoje, ela queria o cara do cheiro de melancia nos
braços, sem um ou outro. E voltar no tempo que o coração se contentava em bater
numa só frequência.