terça-feira, 24 de junho de 2014

Demora da mente

A semana passou
de
mo
ra
da_mente.
Cada segundo parecia levar um peso
tic
tac
Peso tinha os olhos, que as vezes não aguentava tamanha demora
e resolvia desa...
bar.
O café na mão era pra tentar disfarçar mais umas horas
em pé.
Não aguentou a lágrima, que caiu
demora_da...
mente.
Olhos abertos, entretanto.
A semana começou e nem a flor permaneceu
onde ficou por tanto tempo.
Pela janela, a árvore se mostravam despida.
De flor. Não de alma.
A estação chegou ao fim
e os galhos continuavam lá
esperando a próxima oportunidade para florir.
A boca sorriu.
Os olhos, no entanto, não corresponderam.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Éter na mente, pra sempre

A gente tem a mania, meio assim, sem querer,
de achar que tudo vai ser pra sempre.
É inconsciente.
É sem planejar.
O primeiro amor parece. Tem tudo pra isso.
O sofrimento toma seu lugar nessa infinitude de tempo.
Vem o segundo amor e o terceiro.
No quarto. Na sala. Naquela casa que parecia ser pra tanto tempo.
Cada recomeço, pra sempre.
Criança pra sempre e se ve adulto, de repente.
A ruga aparece na cara.
Quebra difícil.
Se aproxima o fim da vida que era pra ser...
pra sempre.
O casal de amigos. O anúncio do fim.
A espera dela, de um trem que se foi.
As lágrimas correm pelo fim na vida... do outro.
Mas essa vida, danada, é tão promíscua pra eternidade.
Que foi colocado, por obviedade, como termo divino.
Fica na mente a volatilidade do éter.
Juntos, não poderia ser mais efêmero.
A vida.
E tudo que se tem dela.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

fim do livro

15 páginas me separavam dele.
O final.
15 páginas me separavam da virada da contra capa.
O fim do livro significava um rompimento definitivo.
Eu sabia disso. E adiava.
Era um rompimento com as lutas. Com a história.
Com ele. Comigo.
Foram meses adiando aquele momento.
Qualquer livro podia entrar no meio do caminho para adiar um pouco mais aquelas muitas páginas.
E entraram. Adiaram. Até o dia que não deu mais.
100 páginas, 40 páginas. Hoje, eram 15.
Encarei o livro para seguir em frente.
Era chegada a hora de ficar tudo pra trás, definitivamente
15 páginas demoradamente contempladas.
Era um pouco tristeza. Um pouco ansiedade.
20 minutos mais ou menos naquela mesma praça.
E a contracapa tomou seu devido lugar.
O livro ganhou um lugar na estante.
Entre todos os outros, ele era apenas mais um.
Lido. Fechado. Terminado.