sexta-feira, 6 de junho de 2014

Éter na mente, pra sempre

A gente tem a mania, meio assim, sem querer,
de achar que tudo vai ser pra sempre.
É inconsciente.
É sem planejar.
O primeiro amor parece. Tem tudo pra isso.
O sofrimento toma seu lugar nessa infinitude de tempo.
Vem o segundo amor e o terceiro.
No quarto. Na sala. Naquela casa que parecia ser pra tanto tempo.
Cada recomeço, pra sempre.
Criança pra sempre e se ve adulto, de repente.
A ruga aparece na cara.
Quebra difícil.
Se aproxima o fim da vida que era pra ser...
pra sempre.
O casal de amigos. O anúncio do fim.
A espera dela, de um trem que se foi.
As lágrimas correm pelo fim na vida... do outro.
Mas essa vida, danada, é tão promíscua pra eternidade.
Que foi colocado, por obviedade, como termo divino.
Fica na mente a volatilidade do éter.
Juntos, não poderia ser mais efêmero.
A vida.
E tudo que se tem dela.

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